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São João da Boa Vista, 02 de março de 2021


DESTAQUE
XXIX CONCURSO LITERÁRIO DE POESIA e PROSA

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REDAÇÃO NA ESCOLA 2019
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RONALDO NORONHA


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Pensamento & Pesquisa
10/09/2020
CLARICE, uma surpresa Palestra da acadêmica Maria José Gargantini Moreira, proferida na reunião XXVIII Concurso Literário de Poesia e Prosa

23/02/2019
RAÍZES DO NOSSO CARNAVAL Palestra da acadêmica Beatriz Castilho Pinto, proferida na reunião SERPENTINA LITERÁRIA
[Referência]


ACADEMIA NAS REDES

PARCEIROS DAS LETRAS

PREFEITURA MUNCIPAL
www.saojoao.sp.gov.br



ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA: SEUS PRIMÓRDIOS

10.09.1971 - Fundação

15.11.1971 - Instalação

A “semente” da nossa Academia de Letras foi lançada por Milton Duarte Segurado, em uma conversa informal com Octávio da Silva Bastos, que, na época – lá pelos idos de 1966-68 – era Prefeito Municipal da cidade e presidente da Associação Sanjoanense de Ensino, hoje Fundação de Ensino Octávio Bastos - UNIFEOB. Milton Segurado, professor dos cursos de Direito de São João e Campinas, homem culto e membro fundador da Academia Campinense de Letras, mostrou que o avanço cultural da cidade favorecia a criação de uma Academia de Letras, acompanhando a instalação dos cursos superiores: Ciências Econômicas (da atual UNIFAE) e Direito (da atual UNIFEOB), ambos implantados naquela década de 1960, pelo mesmo grupo de pessoas ligadas a Octávio Bastos.

Octávio Bastos logo abraçou a ideia do Prof. Segurado e, assim, foi-se esboçando o projeto da nossa Academia, tomando-se como ponto de partida o Estatuto da Academia de Campinas e adaptando-o à nossa realidade.

Poucos anos mais tarde, Octávio Bastos procurou dois companheiros, intelectuais de grande prestígio na cidade: Octávio Pereira Leite, tabelião por profissão e participante ativo da vida cultural da cidade na condição de jornalista, escritor, vereador e sócio fundador da Sociedade Cultural de Debates e do Serviço de Assistência Social – SAS; e o Prof. Francisco Roberto de Almeida Júnior, inspetor de ensino na cidade, igualmente jornalista e cofundador da mesma Sociedade Cultural, além de poeta. Foram esses os três organizadores.

Era o ano de 1971. Sob o comando de Octávio Bastos, atento à cultura – e à cultura literária – era criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nesse passo, a próxima etapa era encontrar alguém com o perfil buscado para presidir a Academia. Haveria de ser alguém com cultura e prestígio, mas não só: deveria ter também envergadura moral e carisma para aglutinar as pessoas de destaque nas letras, nas artes e nas ciências.

Não foi difícil, para os organizadores, chegarem ao Bispo Diocesano Dom Tomás Vaquero, homem culto e querido. A par das atividades religiosas, dedicava-se à docência universitária e à colaboração em jornais leigos e revistas eclesiásticas. Além disso, era membro de três academias literárias, instituídas dentro de seminários católicos: Grêmio Santa Teresinha, do Seminário Diocesano de Campinas; Academia de Letras José de Anchieta, do curso de Filosofia do Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, na cidade de São Paulo; e Academia de Letras Beato Inácio de Azevedo, do Pontificio Collegio Pio Brasiliano, de Roma. Tinha, pois, vasto conhecimento de academias de letras, tendo sido diretor da segunda delas, em São Paulo, por seis anos, entre 1942 e 1947. Dom Tomás, como esperado, aceitou o convite. Dando um salto no tempo, importa ressaltar que, em outubro de 2020, a Igreja Católica anunciou a abertura do processo de beatificação de Dom Tomás. Quanta honra para a nossa Academia de Letras.

Os organizadores, então, passaram a buscar outros nomes respeitáveis que representassem os valores culturais da cidade, para convidá-los a fundar uma Academia de Letras na cidade.

Encontrados esses nomes de destaque cultural, o grupo fez sua primeira reunião em 10 de setembro de 1971, na residência episcopal. Eram dezessete os presentes, mais dois ausentes, representados por procuração. Foram, pois, dezenove os sócios fundadores de nossa Academia, que aqui viviam ou aqui trabalhavam.

São eles: os cinco já citados – Octávio da Silva Bastos, Milton Duarte Segurado, Octávio Pereira Leite, Francisco Roberto de Almeida Júnior e Dom Tomás Vaquero, cujos perfis já foram brevemente apresentados – e mais estes, por ordem alfabética:

  • Abelardo Moreira da Silva, advogado, professor universitário na área de economia e colaborador de jornais.
  • Ademaro Prézia, jornalista e poeta.
  • Emílio Lansac Toha, advogado e consagrado poeta.
  • Fábio de Carvalho Noronha, jornalista, radialista e musicista.
  • Hélio Correa da Fonseca jornalista profissional, diretor e coproprietário do Jornal O Município, radialista, advogado e vereador por várias legislaturas.
  • Joaquim José de Oliveira Neto, médico de formação e intelectual por vocação, foi professor e diretor do Instituto de Educação, cofundador e professor da Faculdade de Ciências Econômicas, colaborador de jornais.
  • Jordano Paulo da Silveira bacharel em Direito, poeta, grande sonetista, colaborador de jornais.
  • José Osório de Oliveira Azevedo, advogado, escritor, colaborador de jornais.
  • Rev. José Rodrigues Cordeiro, pastor presbiteriano, poeta e professor.
  • Licínio Vita da Silva, graduado em Ciências e Letras e em Direito; professor da Faculdade de Ciências Econômicas.
  • Cônego Luiz Gonzaga Bergonzini, pároco da Catedral (mais tarde, bispo de Guarulhos) e diretor do jornal A Cidade de São João.
  • Maria Leonor Alvarez Silva, professora, escritora, colaboradora da imprensa local e membro da Academia Piracicabana de Letras.
  • Odila de Oliveira Godoy, professora e jornalista.
  • Palmyro Ferranti, cirurgião dentista, provedor da Santa Casa, cronista.

Sendo esse o momento de fundação da Academia, tiveram os acadêmicos o privilégio de escolher cada qual o seu patrono.

É preciso registrar um fato notável para a época: a presença de duas mulheres entre os acadêmicos, em 1971 – portanto, seis anos antes que a Academia Brasileira de Letras admitisse em seus quadros a primeira mulher, a escritora Rachel de Queirós, em 1977. Essa postura denota bem o espírito aberto e inovador daqueles pioneiros.

A reunião de 10 de setembro de 1971 iniciou-se sob a presidência de Octávio da Silva Bastos, que, ao propor a fundação da Academia, obteve apoio unânime e entusiástico. Ele, então, declarou fundada a Academia Sanjoanense de Letras. Foi lido, discutido e aprovado o Estatuto, que havia sido elaborado por Octávio Pereira Leite com base no da Academia Campinense de Letras, porém adaptado ao nosso meio. O nome originalmente proposto, “Academia Sanjoanense de Letras”, foi alterado para “Academia de Letras de São João da Boa Vista”, a partir de sugestão de Emílio Lansac Toha, sob o argumento de que tal denominação “projetaria mais no Estado o nome da nossa cidade”. Também ficou estabelecido o número de quarenta cadeiras, a exemplo da Academia Brasileira de Letras, além dos membros honorários.

A seguir, por aclamação, foi eleita a primeira diretoria, cabendo a presidência a Dom Tomás Vaquero. Empossada a diretoria, Dom Tomás assumiu a presidência da Assembleia e imediatamente organizaram-se os órgãos auxiliares: Conselho Fiscal, Comissão de Relações Públicas e Diretores Sociais.

Houve congratulações e manifestações de entusiasmo por “tão auspicioso acontecimento”, conforme consta em ata.

Também os jornais locais – A Cidade de São João e O Município, ambos de 15 de setembro de 1971 – divulgaram que a euforia era geral. O acontecimento foi saudado por quatro dos fundadores: Francisco Roberto de Almeida Júnior, Abelardo Moreira da Silva, Reverendo José Rodrigues Cordeiro e Jordano Paulo da Silveira. Este último se expressou por meio de um poema em homenagem aos colegas acadêmicos.

A segunda reunião da Academia de Letras recém-fundada aconteceu em 11 de outubro do mesmo ano, novamente na residência episcopal. Quinze novos membros foram apresentados, cada qual por um dos acadêmicos-fundadores, e depois votados e eleitos. Apenas um deles residia em São João, sendo os demais ligados à cidade por laços de família ou amizade, ou ainda pertencentes a academias literárias de outros municípios.

São eles, agrupados por cidade:

De São João, o Monsenhor Antônio David, Vigário Geral da nossa Diocese, fundador do jornal A Cidade de São João.

Das cidades próximas, Antônio Ferraz Monteiro, advogado e professor do Instituto de Educação Euclides da Cunha, de São José do Rio Pardo; e Hercílio Ângelo, professor na PUC-Campinas e também no Instituto de Educação de São José do Rio Pardo; Oscar Burgos Possolo, major da aeronáutica em Pirassununga e poeta; e Jurandir Ferreira, jornalista, poeta e prosador, residente em Poços de Caldas.

De Campinas, Benedito José Barreto Fonseca, reitor da PUC-Campinas, promotor de justiça e membro efetivo da Academia Campinense de Letras; o Reverendo Júlio Andrade Ferreira, pastor presbiteriano e autor de diversos livros; e Plínio Silva, poeta e jornalista.

Da cidade de São Paulo, Eunice Veiga, poeta e colaboradora dos jornais O Dia e Folha de São Paulo; Geraldo Majela Furlani, escritor, com diversos livros publicados; Juversino Garcia de Oliveira, advogado, professor de Português e Literatura no Instituto de Educação de São Paulo e escritor com obras editadas; e Nise Martins Laurindo, diplomada em Letras pela USP, com certificado de proficiência em literatura inglesa pela Universidade de Cambridge.

E ainda, de outras localidades, Almir Paula Lima, juiz de Direito em Lavras e presidente da Academia Itajubense de Letras; Fábio Rodrigues Mendes, professor e dirigente de estabelecimento de ensino na cidade de Jundiaí, e atuante nas lides jornalísticas; e João Cabete, poeta e jornalista, titular do cartório do 2º Ofício de Cruzeiro.

Poucos dias após, tem lugar a terceira reunião, em 27 de outubro, com o objetivo de discutir as providências necessárias para a sessão magna de instalação solene da Academia e posse dos acadêmicos. A reunião tratou ainda da apresentação de candidatos para preenchimento das seis cadeiras restantes, completando o quadro social da Academia. Os postulantes eram pessoas de destaque – alguns, membros de outras academias –, e foram eleitos após terem sido apresentados, cada qual por um acadêmico.

São eles:

Da cidade de São Paulo, Acácio Ribeiro Valim, médico e intelectual com vários livros editados; Leão de Salles Machado, escritor, membro e ex-secretário geral da Academia Paulista de Letras, e Nelson Palma Travassos, jornalista e prosador.

Da cidade do Rio de Janeiro, Hélio Carvalho Teixeira, advogado, jornalista e poeta.

De Barretos, José Assis Canoas, odontólogo e poeta.

De Ribeirão Preto, José Magalhães Navarro, alto funcionário do Banco do Brasil e Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras.

Eleitos os quarenta membros, nossa Academia abrangia representantes de treze diferentes cidades, além de São João.

Passado apenas um mês e meio da primeira reunião, a Academia de Letras estava agora completa para sua instalação solene e pública. A data escolhida para o evento foi 15 de novembro, dia da Proclamação da República.

Para a ocasião, os preparativos foram grandes, e comissões foram formadas sob direção e organização da acadêmica Odila de Oliveira Godoy. O acadêmico Oscar Burgos Possolo se ofereceu para confeccionar os convites e mereceu aplausos gerais na reunião.

Almeida júnior idealizou o brasão acadêmico, tendo ao centro a imagem de um livro aberto e, na parte inferior, a de uma fita com a legenda “Os livros governam o mundo”, de autoria do filósofo iluminista Voltaire.

A instalação solene se deu em 15 de novembro de 1971, às 20h, em uma memorável reunião no salão nobre da Sociedade Esportiva Sanjoanense, cedida gentilmente por seu presidente, Dr. Gastão Michelazzo. O salão estava lotado, com a presença de autoridades municipais e estaduais, bem como de familiares e convidados dos acadêmicos a serem empossados.

A reunião foi aberta pelo 1º vice-presidente, Octávio da Silva Bastos que, após compor a mesa com as autoridades presentes, proferiu breve discurso e justa homenagem aos companheiros que arquitetaram a Academia: Francisco Roberto de Almeida Júnior, Milton Duarte Segurado e Octávio Pereira Leite. Encerrando seu discurso, ele concluiu: “Minhas senhoras e meus senhores, tenho a grande honra de declarar instalada neste dia – 15 de novembro de 1971 – a Academia de Letras de São João da Boa Vista”.

O 2º vice-presidente, Octávio Pereira Leite, fez uso da palavra, discorrendo sobre o nascimento da ideia de se criar a nossa Academia e de como se haviam desenvolvido os trabalhos de sua organização.

Na sequência, Octávio Bastos chamou e declarou solenemente empossado o primeiro acadêmico, Dom Tomás Vaquero, presidente eleito da Arcádia, passando a ele a direção da mesa e dos trabalhos.

Dom Tomás iniciou o ato solene de diplomação dos acadêmicos, por ordem de cadeira. Em seu discurso discorreu sobre a finalidade e os objetivos que deveriam ser visados por uma Academia de Letras

A seguir, a primeira palestra da Academia foi proferida pelo acadêmico Benedito José Barreto Fonseca, reitor da PUC-Campinas, que discorreu sobre seu patrono, Castro Alves, cujo centenário de falecimento era comemorado naquele ano. Segundo consta em ata, ele produziu uma peça de grande beleza e erudição que a todos encantou, merecendo os mais justos aplausos. Complementando a apresentação, a professora Lucila Martarello Astolpho – que mais tarde se tornaria membro da Academia - declamou versos de Castro Alves, da bela poesia “Navio Negreiro”, um dos pontos altos da noite, com efusivos aplausos.

Na sequência, o Prefeito Municipal, Dr. Oscar Pirajá Martins Filho, congratulou-se com todos os presentes por mais esse marco de progresso cultural na cidade. O acadêmico Jordano Paulo da Silveira declamou dois novos poemas de sua autoria, um dos quais, “No limiar da glória”, escrito em homenagem a todos os acadêmicos.

“No Limiar da Glória”

Temos hoje a sessão inaugural
de nossa boa e nobre ACADEMIA,
marcando pra São João um grande dia,
que atesta bem seu nível cultural.

Não significa arrojo ou ousadia
- um passo simples, certo, natural,
mostrando sermos gente bem normal,
amante, enfim, da grã FILOSOFIA.

Vamos, pois, de mãos dadas, para a frente,
deixar buscando um rastro aurifulgente,
sem ter em mira os louros da vitória.
Havemos – todos – sim, de os conseguir.
Por si, um dia, eles hão de vir
- por vindouros nos tendo na memória!

Em agradecimento, o acadêmico Milton Duarte Segurado retribuiria mais tarde com outro soneto, usando as mesmas rimas – os dois poemas foram publicados no jornal O Município de 25 de dezembro de 1971.

“Soneto de Agradecimento”

Perseguem cidadãos um ideal
e a fim de que esta meta fugidia
consigam alcançar, buscam uma via
que os leve à integração universal.

Cenáculo somente reuniria
Partindo o pão e usando o mesmo sal
os que preferem refeição frugal
mas temperada sempre de poesia.

A oratória se fará presente
Junto à ficção, que irá constantemente
parceria fazer ao jus e à história;

teatro, filosofia progredir
irão com folclore e no porvir
caminharemos juntos para a Glória!

A reunião foi enriquecida com uma saudação à Academia, feita pelo Dr. Paranhos de Siqueira, convidado vindo da Academia Campinense de Letras, e, a seguir, com uma palestra do acadêmico Leão Machado, a respeito do tema “Normas acadêmicas”. Foi muito oportuna esta sua fala para a Academia que acabava de se instalar, já que ele tinha sido, por seis anos, Secretário Geral da Academia Paulista de Letras. Para finalizar a noite, o acadêmico Plínio Silva declamou um lindo poema de sua autoria em homenagem à instituição:

À Academia de Letras de São João da Boa Vista

A Academia de Letras
de São João da Boa Vista
faz luzir em suas cetras
a inteligência paulista.

Cada titular, de fato,
erudição tem notória:
poeta de escol literato,
ou modelo de oratória.

Educadores eméritos,
ou cientistas mais cultos,
todos revelam seus méritos;
são na vida nobres vultos!

De orgulho muito me abraso
Quando as alturas eu grimpo
desse autêntico Parnaso,
desse mirífico Olimpo.

A maior força no mundo,
que ao ser dá onipotência,
está no ânimo facundo,
no brilho da inteligência!

Por isso, magna honraria
é justo que se dispense.

Foi oferecida uma confraternização com brinde de champagne para terminar aquela noite memorável. O hoje acadêmico João Baptista Scannapieco pôde assistir ao evento e assim o relata:

[...] Posso dizer a todos que eu assisti à fundação da Academia, no dia 15 de novembro de 1971, uma noite memorável, aqui na Sociedade Esportiva Sanjoanense. Uma reunião com um protocolo muito bonito, concorrida, muitas pessoas, autoridades, e aqui os primeiros acadêmicos foram diplomados. Eu me lembro... a alegria de Dom Tomás Vaquero e do Dr. Octávio da Silva Bastos e também do Prof. Octávio Pereira Leite. E eu conduzi aqui duas acadêmicas, Dona Maria Leonor Alvarez Silva e a Dona Odila Godoy. Eu fui motorista delas e por sorte eu assisti essa solenidade. Todos estavam muito alegres, muita gente, porque nós tínhamos acadêmicos não só de São João como da região. Eles estavam aqui com as famílias também. Eu me lembro tão bem que, ao terminar a reunião, a Dona Odila Godoy saiu da Sociedade Esportiva e disse: “Hoje as estrelas estão brilhando mais, e o rio Jaguari continua a correr placidamente com suas águas. Estou muito feliz”. Então, eu vi lançar as primeiras sementes da Academia, às margens do rio Jaguari. Vi essas sementes germinarem, crescerem e frutificarem. E eu estou feliz porque eu nunca sonhava um dia participar da Academia. Hoje sou acadêmico, da cadeira número 17, meu patrono é o professor de português, famoso, Francisco Dias Paschoal. E a Academia está produzindo muitos frutos. Eu espero que continue a produzir. Vejam vocês a Revista Arca, vejam vocês o Concurso Literário feito pela Academia, e o que mais me encanta é a Redação nas Escolas. Como professor, eu admiro e parabenizo. Desejo muitos frutos para a Academia.

O jornal A Cidade de São João, em 20.11.1971, registrou o histórico evento com detalhes em matéria escrita pela acadêmica Odila de Oliveira Godoy, que terminou seu relato descrevendo poeticamente aquela noite solene: “No céu, as estrelas luziam e o Jaguary, a poucos metros, deslizava tranquilo. A brisa agradável envolvia de mistério e serenidade os corações. Este o cenário que marcou, indelevelmente, na história da Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos a instalação solene e a posse dos Acadêmicos da Academia de Letras de São João da Boa Vista”.

A propósito, a imprensa local exerceu um importante papel na divulgação das atividades da Academia, com os jornais O Município e A Cidade de São João se revezando em publicar quinzenalmente a “Página Literária” da instituição, com textos dos acadêmicos.

Houve grande repercussão também na imprensa de fora da cidade. A notícia correu todo o estado e foi divulgada nos jornais da capital: Folha de São Paulo, A Gazeta, O Dia, Diário de São Paulo, inclusive com a foto do grupo dos acadêmicos recém-empossados, que se tornou histórica. Até mesmo a Assembleia Legislativa homenageou a Academia prestando-lhe votos de congratulações, na sessão de 30 de novembro.

E, como ponderou o nobre colega confrade João Baptista Scannapieco, no texto que escreveu para as comemorações do Jubileu de Prata da Academia, depois republicado na 1ª Antologia da Academia de Letras: “A semente lançada por Milton Duarte Segurado caiu em solo fértil”.

No final de seu discurso, Dom Tomás Vaquero vaticinou: “Nossa Academia está criada e empossados os seus primeiros acadêmicos. Agora deve crescer, florescer, frutificar e o vai fazer logo a seguir, iniciando sua longa caminhada, não com passos de criancinha, mas com passos firmes de adulto”.

Foi profética a fala do primeiro presidente, porque assim aconteceu. Após um ano da instalação da Academia de Letras já se tinham realizado dez reuniões ordinárias, a maioria delas no salão paroquial, com o objetivo de os acadêmicos apresentarem e enaltecerem seus patronos, em palestras com a presença de autoridades e convidados ilustres, vindos de diversos locais do Estado e de fora dele. Ao final das reuniões, eram declamados poemas, quase sempre por Aparecida Guimarães (Dona Cidinha) e Carmela Edwirges Lombardi Vilela; algumas vezes, por Maria Benedita Abreu Rossi; e, naturalmente, pelos próprios acadêmicos.

As ações da Academia de Letras começaram grandes e ampliaram-se no decorrer de todos esses anos. As diretorias eleitas cuidaram da Instituição com o mesmo afinco daqueles que a fundaram. Nosso Estatuto passou por quatro reformas. Igualmente importante foi o empenho para inserir a Academia na era digital, graças sobretudo à dedicação da confreira Neusa Menezes. Hoje, são 28 edições do Concurso Literário de Poesia e Prosa, com publicação da antologia dos trabalhos classificados. Criou-se o Concurso Redação na Escola, dentro do Projeto Jovem Escritor, já em 9ª edição, envolvendo todas as escolas da cidade, de ensino fundamental e médio, coroado com a publicação de uma antologia dos trabalhos classificados, o que bem ilustra a forte atuação comunitária da instituição. Criou-se a Revista ARCA, com textos escritos apenas por acadêmicos, lançada em 2013 e já com dez edições distribuídas entre a comunidade sanjoanense. Editaram-se dois Álbuns de Figurinhas – um com a linha do tempo, em 2011, e outro com figuras carimbadas, em comemoração aos 45 anos da Arcádia, no ano de 2016, por meio do Projeto Estadual de Incentivo à Cultura – ProAC. Elaborou-se especial documentário para as comemorações dos 45 anos da Academia de Letras, data em que ambos, o documentário e o álbum de figurinhas foram lançados no Theatro, em grandioso evento. No ano de 2010, editou-se o livro São João em Vitrina, acompanhado do concurso fotográfico “Um olhar sobre São João”, um projeto itinerante pelas escolas. Antes disso, os painéis com foto e textos de acadêmicos permaneceram durante um mês nas vitrinas das lojas da cidade. Editaram-se três antologias com textos de acadêmicos; realizaram-se eventos lítero-musicais no Theatro Municipal, aproveitando as aptidões de confrades e confreiras na literatura e na música. É importante ressaltar, mais uma vez, a importância da acadêmica Neusa Menezes nos trabalhos gráficos da Instituição. Como designer gráfica, ela produziu todas as antologias dos Concursos Literários de Poesia e Prosa e do Redação na Escola, assim como o primeiro Álbum de Figurinhas, o livro São João em Vitrina e nove das dez edições da Revista ARCA, bem como a última Antologia com textos dos acadêmicos. Há alguns anos a Academia de Letras, em parceria com a UNIFAE, enaltece a poeta sanjoanense Orides Fontela. No ano de 2019 em grandioso evento com duração de dois dias, ofereceu-se o Concurso “Orides: poesia, raízes e caminhos” e também o Seminário Orides Fontela. Muitos Chás Literários têm enaltecido, ainda, outros poetas e escritores de nossa língua, assim como Palestras, muitas, têm, há quarenta e nove anos, completado esse grandioso trabalho da Academia de Letras de São João da Boa Vista.

Pesquisa e Elaboração:

Lucelena Maia
Presidente - biênio 2019|2020
Cadeira 13 - Patrono Humberto de Campos

Beatriz V. C. Castilho Pinto
Presidente eleita - biênio 2021|2022
Cadeira 31 - Patrono Paulo Setúbal






 
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